Freqüentemente pessoas me perguntam qual é o melhor tripé e qual devem comprar. Obviamente a resposta é: Depende!
E depende MESMO. Depende do tipo de equipamento que vai estar sobre ele, do tipo de foto que ser feita com ele, do local onde as fotos vão ser feitas, do gosto pessoal do fotógrafo e, sobretudo, do “bolso”.
Sendo bem objetivo, vou começar com algumas verdades absolutas. Essas valem em TODOS os casos:
1- Tripé bom é caro. O quão caro vai variar muito, mas não existe tripé bom por R$200,00. Mas é um investimento. Tripés bons duram a vida toda.
2- As três características mais importantes em um tripé são: firmeza, praticidade e leveza.
3- Tripé leve não é firme e tripé firme não é leve. Triste mas é assim.
4- Fujam a qualquer custo de tripés com cabeça e articulações de plástico/nylon. Podem parecer razoavelmente firmes quando novos, mas com o uso ficam frouxos.
Bom, esses fatos são meio tristes de se ouvir... mas é com isso em mente que vamos tentar entender qual é o melhor tipo de tripé para nosso uso. Fora isso devemos lembrar também que a grande maioria dos tripés bons não vem com “cabeça” (a estrutura articulada que permite a fixação e a movimentação da câmera), essa deve ser também escolhida com muito cuidado. Vamos ver quais os outros fatores que devemos considerar.
05/01/06
Geraldo
Para qual equipamento?
Evidentemente uma DSLR “pró” com uma objetiva 900mm e uma Sony P(xx) vão demandar tripés diferentes. Um precisa agüentar uns 10Kg de peso, o outro umas 150g. Esse é um dos fatos mais importantes ao se escolher um tripé e sua cabeça, quanto de carga ele vai agüentar. Seja pessimista! Pegue o peso da sua câmera mais grip, baterias flash e a objetiva mais pesada que você pretende comprar (mesmo que muitos desses equipamentos você normalmente não vá usar no tripé). Dê ainda uma margem de folga. Bom,com isso você já tem como calcular a carga máxima suportada pela CABEÇA. Agora some a esse valor o peso da cabeça e você tem a carga que o tripé terá de suportar. Lembre-se: um tripé/cabeça que agüenta 7Kg estará mais firme suportando um conjunto que pesa 4Kg do que um tripé/cabeça que agüenta 4Kg.
Para qual tipo de foto?
Um tripé para quem fotografa esporte vai ser diferente de um tripé para quem fotografa paisagens. A praticidade/velocidade de montar e ajustar pode ser crítica para alguns tipos de foto. Para outros mais vale a precisão dos ajustes. O tipo de cabeça é crucial nessa decisão. Os dois tipos existentes são: “Ballheads” e “3way heads”.
As “ball”, como o nome já diz, possuem uma esfera na parte central da articulação que pode ser travada ou solta e girar em quase todas as direções. Isso faz com que o ajuste do posicionamento da câmera seja muito rápido. Entretanto é difícil fazer um ajuste fino já que, com a bola solta, a câmera fica frouxa e pode se mover em qualquer direção.
As “3way” possuem ajustes separados de inclinação frontal, inclinação lateral e giro. Isso possibilita um ajuste muito mais preciso, porém mais lento. Essas cabeças também são proporcionalmente mais pesadas que as “ball”.
Tradicionalmente repórteres fotográficos favorecem tripés relativamente leves e rápidos de montar (fora os monopés), dando preferência às “ballheads”. Fotógrafos de publicidade como normalmente possuem mais tempo para fazer suas fotos tendem a favorecer cabeças “3way”.
05/01/06
Geraldo
Em que local a foto vai ser feita?
A) Num estúdio: Se o tripé não for sair do estúdio a melhor opção não é nem um tripé e sim um suporte de coluna (Tower Stand). Imensa estrutura que se desloca sobre rodas (que podem ser travadas), possui torre central com braço(s) onde podem ser montadas mais de uma câmera e se deslocam em todos os sentidos. É um trambolho, mas agüenta literalmente qualquer equipamento e não treme nem chutando. Ideal para foto de produtos.
Outra opção para estúdio é um tripé convencional bem pesado, com coluna central com cremalheira (manivela) e cabeça “3way”.
B) Externa “tranqüila”: Se a externa é em local de fácil acesso e o equipamento vai de carro, não tem porque não usar um tripé mais pesado (e estável) como o da segunda opção que dei para estúdio.
Se a externa é “tranqüila mas nem tanto”, se você vai ter que carregar o equipamento durante algum tempo, a coisa já começa a ficar crítica no quesito peso. Mesmo assim um bom tripé todo de alumínio não seria pesado demais. Eu já daria preferência a um tripé cuja coluna central fosse do tipo rápido (sem cremalheira) ou até mesmo SEM coluna central, já que em tripés mais leves o uso da coluna reduz muito a estabilidade. “Ballhead” pode ser boa idéia. Se a foto vai ser na grama ou na terra os pés do tripé devem contar com espigões de aço para cravar no chão.
C) Externa extrema: Você vai fazer trecking e quer levar a câmera com um tripé. Bom... nesse caso peso é critico. Recomendo tripés de fibra de carbono (muito leves mas ainda relativamente estáveis) de baixa altura (em torno de 1,4m sem coluna estendida) e com cabeça de bola (não muito grande).
05/01/06
Geraldo
Outras observações:
Tripés normalmente são rotulados pelos seguintes dados:
1-Material de construção
2-Altura máxima sem coluna estendida
3-Altura máxima com coluna estendida
4-Altura mínima possível
5-Tamanho do tripé fechado (para transporte)
6-Peso do tripé
7-Carga suportada pelo tripé
8-Número de seções das pernas do tripé (normalmente 3 ou 4)
9-Tipo de trava das pernas do tripé (alavanca rápida, rosca ou borboleta)
10-Tipo de pernas (independentes ou interligadas)
11-Tipo de coluna central (rápida ou com cremalheira)
12-Tipo de pé (de borracha fixo, de borracha com ajuste de inclinação ou de borracha com espigão de metal retrátil)
13-Extras: Coluna central removível/reversível, pernas que abrem 90 graus (ficam paralelas ao solo), etc.
05/01/06
Geraldo
Muitos desses dados são auto-explicativos, mas vamos detalhar alguns:
Material de construção: Esse interfere diretamente no peso e na firmeza do tripé. Cuidado redobrado pois muitos tripés vendidos como de “alumínio” possuem juntas e articulações de plástico/nylon. FUJA DESSES! Os materiais mais comuns são:
A) Ferro/aço. Pesados e bastante firmes, usados unicamente em estúdios. Pouco comuns.
B) Fibra de Carbono (com juntas e articulações em alumínio). Levíssimos e ainda razoavelmente firmes. Resistem bem ao peso do equipamento, só não são mais firmes porque a própria leveza os torna vulneráveis a ventos fortes e esbarrões. Aconselha-se o uso de sacos de lastro (um saquinho com pedras catadas na hora preso à base da coluna central). MUITO caros, por isso não são muito comuns.
C) Alumínio (corpo, juntas e articulações). São os mais “meio termo”. Não muito pesados, bem firmes, ultra resistentes e mais em conta. Naturalmente são os mais indicados e os mais utilizados.
Número de seções das pernas: Altera basicamente o tamanho do tripé fechado. Comparando-se dois tripés iguais, um com pernas de 3 seções e outro com pernas de 4 seções, percebe-se que o de 4 fica um pouco menor quando fechado e acaba sendo um pouco mais pesado.
05/01/06
Geraldo
Pernas independentes ou interligadas: Alguns tripés possuem hastes que ligam cada uma das pernas à um ponto central, o que faz com que as pernas abram ou fechem em conjunto mantendo todas o mesmo ângulo em relação à coluna central. Isso tem como objetivo principal conferir mais estabilidade ao tripé (quando usado em terreno 100% plano). Outros tripés possuem pernas independentes que podem ser abertas separadamente e em ângulos distintos. Isso permite melhor adaptação ao terreno em caso de fotos em situações difíceis. Esse recurso, para não comprometer a estabilidade, exige uma engenharia excepcional dos fabricantes, por isso mesmo só deve ser cogitado em tripés das melhores marcas.
Coluna central: Com cremalheira (manivela) é mais confortável e fácil de ajustar. Do tipo rápido (sem manivela, apenas uma trava que você solta e levanta ou abaixa a coluna na mão) é mais leve. Mas meu requisito obrigatório sobre a coluna central é que ela seja REMOVÍVEL. Eu acho que compromete muito a estabilidade de qualquer tripé usar uma coluna estendida. No meu eu tirei e prendi a cabeça direto no corpo do tripé.
05/01/06
Geraldo
Bom... pra finalizar vão algumas dicas de marcas:
Em tripés de alumínio é difícil alguém ganhar da Manfrotto/Bogen. São (acredito) o maior produtor mundial e, na opinião de muitos, os melhores. Também produzem ótimas cabeças de todos os tipos. Não é difícil de achar no Brasil, a maioria das BOAS lojas de fotografia tem ou encomenda. www.manfrotto.com
Para tripés de fibra de carbono os melhores são os da Gitzo. Caros e só encomendando, mas quem quer o melhor do melhor para situações extremas não pode esperar nada diferente. www.gitzo.com
Claro que existem outros fabricantes que podem ter alguns modelos excelentes... mas o diferencial dessas duas marcas é que todos os produtos são excelentes.
Só uma consideração final: Muita gente acha que pagar R$800,00 (ou mais) em um tripé+cabeça é absurdo mas vamos lembrar que se bem escolhido esse conjunto vai ser comprado somente uma vez na vida e você ainda vai deixar de herança para seu netos. Uma DSLR mais algumas objetivas boas passa fácil de R$10.000,00... tudo isso pra ter as fotos estragadas por um tripé de R$80,00? Experimentem um tripé bom uma vez e vocês nunca vão querer olhar para outro.